Eu sou aquele que passa despercebido aonde quer que vá, mas que com certeza nota a presença dos outros. Encontre-me por aí e depois me pergunte qualquer coisa desse dia, é difícil eu não me lembrar de como você estava, do que falamos e tenha certeza, acreditarei no que você me disser e lembrarei por um bom tempo. Eu sou aquele que teme viver, mas acaba vivendo aos empurrões, que sofre por antecedência, que odeia fazer escolha, que morre de ansiedade, mas tenta não demonstrar, que se magoa fácil e esquece mais fácil ainda e que por mais que seja teimoso, brincalhão e maldoso com seus comentários quer viver pacificamente. Sou aquele que não leva em consideração as primeiras impressões, pois as minhas melhores amizades foram construídas de situações nas quais eu não agüentava olhar na cara da pessoa.
Eu sou aquele também que agradece por tudo quando fala com estranhos, até quando deveria dizer de nada, e que depois percebe que não deveria ter agradecido e passa uma semana se remoendo por ter feito uma besteira dessas. Ah, não posso esquecer de mencionar que sou aquele que não acredita muito nas pessoas, mas que não consegue viver sem algumas, mesmo não demonstrando, mesmo não dizendo o quanto elas significam para mim, mesmo sumindo e dando uma impressão que consigo viver sem elas. Apesar de não dizer, demonstrar, sinto e espero que as pessoas saibam que o mais importante é o que está aqui dentro e que penso nelas todos os dias e torço para que estejam bem e que o mais importante, que saibam que possam contar comigo no que precisar. Eu fico na minha, às vezes, quieto, às vezes, falador ao extremo, mas sempre tentando ouvir mais do que falar.
Eu sou aquele que odeia não saber o motivo das coisas, que morria de curiosidade e que hoje em dia consegue se controlar e viver bem com as coisas que não estão ao seu alcance. Mas logo você perceberá que eu tento sempre fazer o meu melhor, mesmo a preguiça sendo quase meu segundo nome, mesmo eu preferindo dormir a fazer qualquer outra coisa, eu me esforço e tento aproveitar as chances.
Eu sou aquele que tem um amor platônico, mas que nunca quis nada com esse amor em anos, pois além de acreditar que ser feliz nesse campo da vida é impossível para mim, amo de um jeito sem interesse, sem posse, sem vontade de esquentar a cabeça com problemas que possam aparecer, me satisfaço assim e estou realizado. E por mais que dúvidas, situações, desejos apareçam, minha carência anda sob controle. Eu nunca precisei de carinhos, mas morreria se os tivesse e fosse obrigado a perdê-los como anteriormente e é aí que moram meus medos, receios e incertezas. Porém nunca deixarei de amar, porque isso é impensável para mim. Continuarei a amar sempre, perto, longe, sofrendo, sorrindo, desmoronando, mas, claro, sempre do meu jeito.
Eu sou aquele que começou a arriscar mais, depois de passar por uma fase estagnada da vida, cujas as coisas passavam sem eu notá-las e, com isso, eu acabava não lhes atribuindo um real significado. Mas, como esse ano é um ano especial e de mudanças, resolvi a partir de agora me dar chances e conhecer o que eu puder conhecer, desde pessoas especiais a lugares onde as coisas acontecem, sejam por sua beleza, sejam por sua badalação.
Eu sou aquele que quase não chora, não que eu ache isso bom, mas se desfaz em lágrimas quando está nervoso, ansioso, com raiva, triste, não pelo sentimento, mas por não saber se expressar, explicar, é mais forte que o auto-controle. E acho que o significado de chorar não devia ser atribuído a qualquer antônimo de ser forte.
Eu sou esse que tentou se descrever em uma página e ao terminar não conseguiu escrever metade do que é. Por mais que eu converse, fale, escreva, me abra, sempre haverá uma parte, uma grande parte, de mim que fica guardada aqui, os motivos talvez foram citados acima. No fim, mesmo sabendo que quase ninguém leu, estou aqui disposto a continuar, esperando a vida acontecer e esperando mais ainda conhecer as pessoas que fazem e farão parte dela.